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Histórias e Poemas para quem cansou de ler coisas normais, abordando assuntos nada usuais e também alguns comuns ocasionais. Amor, tristeza, amizade, sofrimento, histórias de ninar e suspense!

sábado, 4 de dezembro de 2010

O Signo Vermelho - Parte 04

Pegamos o primeiro trem até Lumière Rouge, quanto mais rápido eu estivesse diante da famosa Rocha Vermelha, melhor. No caminho, Natan me contou os detalhes da ameaça feita em nome do Clã de Ishtar pelo meu irmão, Amadeus. Soube que os membros de meu antigo clã haviam se hospedado num antigo castelo nas redondezas da cidade principal, oficialmente eles disseram que estavam no meio de uma busca pessoal, mas depois lançaram a ameaça.
Sempre adorei as maravilhosas paisagens dessa ilha, não é em todo lugar que se encontra troncos e folhas tão vermelhas. Provavelmente devido ao fato de todos os frutos gerados em Île Rouge serem avermelhados, todas as aves apresentavam a mesma cor nas plumagens. Observar toda essa vermelhidão causava um nervosismo, porém não se pode negar que há muita beleza.
Saímos da área da floresta e agora os trilhos ladeavam uma estrada asfaltada, aqui se iniciou a área desmatada impiedosamente pelo crápula do Têterouge. Nunca entendi a necessidade que os reis da ilha tinham em transformar os arredores da capital em uma cópia das cidades americanas, mas eu já começava a sentir o mal-estar comum que essas cidades me causavam. Havia várias mansões e castelos a vista, bem como carros de todos os tipos. Quem visita essa ilha se sente perdido entre dois períodos distintos na história.
- Gosta de nossos castelos, Lorde Lucas? – Natan resolveu mudar o rumo da conversa – É um orgulho para os cidadãos saber que ainda há desses sobrevivendo à modernidade em nossa amada ilha.
- Não creio de dure muito. – fui franco – Mais uma mudança de Têterouge e todos esses castelos serão vendidos à Wal-Mart, ou a algum Shopping Center. – era o que estava acontecendo com as casas senhoriais de dentro dos muros de Lumière Rouge, quase todas já pertenciam a multinacionais
Meu companheiro de viagem fez uma expressão de surpresa, depois olhou rápido para o outro lado. Talvez eu não devesse ter sido tão sincero, mas pouco me importava. Encostei e voltei a olhar os castelos. Mal podia esperar para ver a tal pedra, ainda tinha esperanças de obtê-la, mesmo que tivesse que enfrentar todos os X-Hunters. Tinha em mente o número de monstros que eu conseguiria manda para o inferno de uma só vez, essa arma não podia ficar restrita à Île Rouge para sempre. Eu faria com que isso se tornasse um bem da humanidade.
- Chegamos, mi lorde. – esbravejou ele – Estamos às portas de Lumière Rouge!
O trem chegou à estação, que ficava bem ao lado dos muros da cidade. Descemos e fomos identificarmo-nos, ninguém entrava na capital sem ser registrado adequadamente. Era necessário deixar clara a intenção da visita, caso você não fosse um morador.
- Bem, espero que aprecie nossa hospitalidade. – ele já abrira o sorriso novamente – Nossa cidade é um pouco grande, então tente não se perder, Oh grande lorde das florestas! – senso de humor no meio de uma crise dessas, ao menos alguém tinha a cabeça no lugar.
Entramos na cidade. Eu já havia me esquecido o quanto ela era enorme, havia uma longa avenida que cortava toda a cidade até chegar ao Castelo do Têterouge. Em minha mente veio a imagem de milhares de pessoas, andando de um lado a outro. Porém não havia absolutamente ninguém a vista, além dos soldados da cidade. Nada dos habituais mercadores, gritando seus preços e sacudindo tapetes, nenhum Hakai contando as velhas histórias da ilha, nada.
- Hum! Natan, eu acho que você esqueceu-se de mencionar que hoje seria feriado. – embora a expressão dele demonstrasse tanta surpresa quanto a minha.
- Temos que correr! – ele cochichou – Acho que chegamos tarde demais.
Antes que eu pudesse responder ele saiu correndo na diagonal, escondendo-se atrás de uma enorme construção. Eu não estava acostumado a seguir alguém, geralmente eu é que sou seguido. Então estar naquela posição de leigo me irritava fervorosamente.
- Quer deixar a situação mais clara? Não me lembro de nada sobre abdução em massa na ameaça que você descreveu para mim! – eu impus com vigor – Seja conciso!
Ele estava olhando atentamente para o castelo. Depois de uma olhada rápida para o chão ele me mirou nos olhos.
- Lembra quando eu disse que acoplada a um arco a Rocha Vermelha mataria cem com uma flecha?
- Claramente! – nós dois sussurrávamos agora.
- Imagine se a acoplarmos a um espelho Voleur de corps? – ao ouvir essa suposição, senti um peso cair no estômago.
A antiga lenda de Russel Krona e o Espelho que Roubava Corpos era uma das mais contadas histórias entre os Hakais da ilha. Conta-se que o jovem Têterouge havia descoberto uma forma para manter sua juventude intacta, tamanha era sua vaidade que o medo de envelhecer tirava-lhe muitas noites de sono. A lenda menciona um espelho capaz de aprisionar corpos de várias pessoas e dar ao captor toda a juventude adquirida na empreitada.
- Certamente você não acredita qu.. –
- O espelho é real! – ele me interrompeu bruscamente – Nós o vimos uma vez. Os X-Hunters já invadiram um dos Templos Sagrados de Ishtar, buscando um velho mago que havia lançado uma maldição em nosso senhor Lê Mount, Têterouge de Île Rouge. – ele parou para respirar – Nós o vimos se tornar jovem para tentar escapar, ele aprisionou um de meus companheiros.
- Acho que eu saberia se meu clã possuísse um artefato de tamanha magnitude. – repliquei – Acaso se esquece que eu sou um De Ishtar?
- Mas você deserdou há anos. Vimos esse espelho há alguns meses. – ele estava suando frio – Com certeza eles o adquiriram depois de você os abandonar.
Fazia sentido. Minha ganância desmedida não era uma característica particular, todos os membros do clã estavam sempre buscando novas posses. Em especial as que continham algum tipo de poder mágico, e se espelho for real com certeza seria alvo de buscas incansáveis.
- Agora que você já parou de questionar, vamos penetrar no castelo. – novamente ele dava as coordenadas – Como X-Hunter eu conheço cada entrada e saída secretas desse lugar. Não podemos ser pegos por alguém que eventualmente tenha invadido o local.
- Tudo bem. Aponte o caminho e saia da frente! – pela expressão dele eu tinha certeza que não haveria discordância.
Seguindo uma rota alternativa, usando um túnel subterrâneo, conseguimos cruzar toda a cidade sem sermos notados. Impressionante como algo que deveria ser o esgoto pudesse ser mais luxuoso que o próprio castelo, mas o piso de mármore preto, as paredes revestida com ouro e a cera milenar nas velas que iluminavam o caminho deixavam bem claro o fato de essa ser uma passagem apenas para os nobres.
Escureceu.
- Parece que temos companhia, oh sábio X-Hunter. – eu sussurrei debochadamente – Hora de mostrar os resultados de seu árduo treinamento.
Natan se adiantou puxando uma luz vermelha e intensa de dentro da roupa. Imagino que fosse a insígnia da Ordem, mas não tive tempo de perguntar. Estávamos diante de cerca de 19 sombras, em pé de forma dura em nosso caminho. Olhos escarlates e lanças medonhas prontas para nos empalar.
- Julian? – Natan aparentemente reconheceu um deles – Ah, que bom que são só vocês. - Ele baixou um pouco a luz e virou para mim – São meus parceiros X-Hunter, devem estar tentando fazer o mesmo que nós.
Não cri. Minha Fouillis vibrava, estava sentindo a ira que emanava de nossos inimigos. Ouvir Natan contradizendo-a me fez dar um passo atrás
- Por que os olhos vermelhos? – indaguei a ele – Isso é normal também? Faz parte da decoração da ilha? – tudo era vermelho naquele lugar.
Ele deu mais uma olhada. Percebi que estava pesando as possibilidades.
- Hey, Julian! – ele falou alto para o indivíduo no centro – O que vocês fazem aqui?
Aparentemente Julian não queria responder. Saltou em direção a Natan com um urro gutural. Ele não estava preparado para receber o ataque, mas minha espada se moveu sozinha em busca da lança do agressor. Um barulho ensurdecedor seguido de várias faíscas de cor púrpura. Eu estava frente a frente, lâmina a lâmina com ele. No momento em que o encarei mais profundamente, entendi a questão.
- Amadeus! – eu escarneci – É claro que era você, percebi pelo cheiro de podridão.
Julian baixou a lâmina e se afastou.
- Lucas, meu irmãozinho! – a voz de meu irmão mais velho saindo da boca daquele estranho confirmou minha teoria – O que o trás ao nosso mais novo domínio? Acaso algum sugador de sangue escapou da desordem que é essa sua espada? – ridículo
- E você? Ainda honrando a sujeira e imundice que paira sobre o nome de Ishtar? Não é o bastante envergonhar a Deusa agora mancha de sangue o nome do clã?
- Já ouvi todas essas lamúrias na noite em que você nos deixou, e você não mudou nada! Ainda é o vermezinho insignificante se espreitando nas sombras dessa porcaria que é a sua espada.
Já deixei claro o quanto sou ganancioso, embora eu jamais matasse alguém inocente por isso. Mas tenho um orgulho assassino da minha espada, e não admito esse tipo de ofensa, não sem fazer jorrar sangue.
As armas estavam escolhidas, os inimigos expostos. Eu e Natan estávamos prontos.
- Lutemos!

Um comentário:

  1. Putz, Finalmente As Peças Se Encaixando Hem ^^ (Ou Não) Hehehe

    Não Sei O Que Comentar Amor, Estou Ansiosa D+ Para O Próximo Capítulo!

    Parabéns Avner

    Amo Vc

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