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Histórias e Poemas para quem cansou de ler coisas normais, abordando assuntos nada usuais e também alguns comuns ocasionais. Amor, tristeza, amizade, sofrimento, histórias de ninar e suspense!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Histórias de Ninar para Bruxos

A Árvore de Luanna

A lua brilhava no céu da meia-noite enquanto Luanna terminava seu passeio noturno. Isso sempre se repetia, noite após noite. Ela seguia o conselho da sua mãe à risca: “Esteja sempre em contato com a mãe-lua, ela será sua guia quando eu me for!”. A mãe dela se fora há dois anos, e desde então Luanna sempre saía às onze da noite e passeava pelo jardim da mansão do Senhor Kraus.

Ao término de seu passeio de uma hora, Luanna decidiu voltar por um caminho diferente. Ela sempre seguia para casa contornando o velho salgueiro, em direção à grande bétula, mas naquele dia direcionou-se até o salgueiro e, em lugar de contorná-lo pela direita como sempre fazia, foi pela esquerda em direção a uma árvore na qual nunca reparara.

Lua iluminava a árvore de uma forma mágica, parecia a Luanna que o luar fora feito especialmente para aquela árvore. O tronco era largo e negro, tinha mais de três metros e os galhos, repletos de uma folhagem vasta e viva, subiam mais alto do que a garota podia acompanhar. As folhas pareciam brilhar sob o luar enquanto as flores exalavam o melhor perfume que Luanna já veio a sentir.

A garota ficou admirada com a magnificência da planta, jamais imaginou que a Mãe-Natureza tivesse um dia criado tal forma de vida tão bela que só podia ser divina. Luanna sentiu a energia espiritual da árvore falar com ela, parecia que estava cantando coisas em seus ouvidos. Então ela se aproximou do tronco e o tocou. Toda tristeza que pudesse existir em Luanna naquele momento extinguiu-se, começou então a se lembrar de tudo que acontecera de feliz em sua vida esquecer cada momento ruim.

No momento em que desfez contato a alegria espontânea diminuiu, mas não cessou! A garota deu boa-noite à árvore e voltou para casa. Sabia o que queria fazer no outro dia, não seria justo se apenas ela desfrutasse da magia que a árvore emanava. Ela chamaria todos seus amigos para dar o passeio na noite seguinte e fariam danças para homenagear a incrível planta.

Em casa, Luanna contou ao seu pai sobre a árvore e ele a lhe respondeu com ar de satisfação: “Sua mãe já me falou sobre essa árvore, mas eu nunca tive tempo de acompanhá-la em um passeio para fazer uma visita”. Ficou então combinado que em dois dias ele visitaria a árvore com a filha, ocasião em que teria folga do trabalho.

No dia seguinte, Luanna saiu em busca de seus amigos para lhes contar sobre a Árvore Mágica. De casa em casa ela anunciou que fariam um longo passeio noturno e os instigou a pedir permissão aos pais para fazê-lo. Uma vez que todos na vila conheciam muito bem Luanna, e também eram adeptos da Mãe-Natureza, logo todas as crianças receberam autorização para visitar a árvore mágica com a garota.

Á exatas onze horas da noite, toda a turma de amigos de Luanna estava pronta para o passeio. Saíram pelo caminho habitual dela, passando pelos Gerânios que brigavam com os Dentes de Leão, contornando os Copos de Leite que derramavam nas Rosas, até alcançarem o velho salgueiro. Tomando o caminho da esquerda seguiram até a árvore mágica. Um incrível “Oh!” foi a reação deles ao avistarem a planta.

Todos sentiram o mesmo que Luanna sentira na noite passada, a felicidade estava presente em todos os corações naquele momento. Terra e crianças, conectados como um só elemento, todos filhos da Mãe-Natureza. Começaram, então, a rodar de mãos dadas em volta da árvore, cantando músicas ensinadas pelos pais.

Chegada a hora de voltar, todos abraçaram a árvore mágica e foram embora para suas casas. Contaram a seus pais sobre a noite incrível que tiveram e sobre como a árvore conseguira fazê-los lembrar de como são belos a vida e o mundo. Luanna não cabia em si de tanta felicidade, relatava ao pai sobre a noite como se fosse a história mais fascinante da vida dela. “Mal posso esperar para ir com o senhor lá amanhã!”, disse ela, toda animada.

A árvore foi o assunto principal no dia seguinte, todos estavam muito empolgados e esperançosos pela noite. Aparentemente todos haviam recebido nova permissão de passeio e iriam ao jardim do Sr. Kraus naquela noite também. Todos estavam felizes, todos exceto uma pessoa: A velha Sra. Church não parecia nada feliz com aquela atmosfera. Andava pela frente da sua casa com aquele velho livro negro que usava para encontrar coisas erradas na vila.

A Sra. Church era uma dos dois únicos moradores que haviam restado da época em que a vila de Ishtar e a vila de Yahve eram unificadas. Todos os descendentes de Yahve saíram em direção ao outro extremo da floresta, enquanto os descendentes de Ishtar permaneceram próximos ao rio. O outro morador era o Sr. Kraus, descente de Ishtar que morava numa mansão que se situava no centro de um enorme jardim. A velha simplesmente detestava todas as práticas dos habitantes da vila, apenas permaneceu ali porque não tinha forças nem ajuda para migrar para o outro lado.

Quando a noite chegou todos a saudaram como de costume, jantaram e aguardaram ansiosamente até as onze. Na hora certa, saíram em direção a mansão do Sr. Kraus e lá chegando se depararam com ele de pé em frente à entrada para o jardim. “Sinto ter que dizer isso, meus amigos, mas tenho uma péssima notícia para vocês”. Ele os guiou diretamente para o lugar onde deveria estar a árvore mágica.

Um toco, isso foi tudo que restou da grande fonte de felicidades. Não sabia quem tinha sido, mas fora tudo que sobrou à vista do dono do jardim. As crianças davam altos muxoxos enquanto os adultos apenas observavam e imaginavam quem teria cometido aquele horrível crime.

As crianças, no entanto, aproximaram-se do toco com um enorme sorriso nos rostos. Aparentemente tinham visto algo que ninguém mais viu. E foi Luanna quem gritou enquanto apontava para algo que parecia estar no meio deles. Uma pequena mudinha brotava exatamente ao lado do toco. Era verde e viva, e estava lá pronta para ser cuidada e para, no futuro, ser, mais uma vez, fonte de felicidades para eles.

Se havia sido a Sra. Church, buscando acabar com aquele pedaço de existência que tanto feria os costumes monoteístas de seu povo, ou quem quer que tenha cortado a árvore mágica, isso não mais importava. O importante agora era cultivar aquele pequeno raio de felicidade que brotara e esquecer todas as tristezas novamente. Pois todos os amantes da Mãe-Natureza sabem que, não importando sua crença ou sua fé, a felicidade vem acima de qualquer coisa.


Avner R. B. Pereira (Avner Astaroth)

3 comentários:

  1. Muito lindo cara! parabéns, ficou digina de uma adaptação de Tim Burton.

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  2. Tah lindo APERREIO...
    como tudo que você escreve...
    *-*

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  3. Ta mtmtmt lindoOo ManoOo
    pense num escritor massa!
    :D

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