O que há por aqui?

Histórias e Poemas para quem cansou de ler coisas normais, abordando assuntos nada usuais e também alguns comuns ocasionais. Amor, tristeza, amizade, sofrimento, histórias de ninar e suspense!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Preguiça


Não quero me levantar

Eu não preciso me esforçar

Pare de me importunar

Já tenho o que eu preciso aqui

Sou filho de Deus, meu irmão

O que ele quer para mim

Ele dá na minha mão

Eu sei fazer isso, mas não quero agora

Sinto mesmo que não é hora

Quando for eu te aviso

Ou penso em te avisar

O que? Ela vai morrer?

Pena, não posso ajudar

Apareço lá no enterro

Ajudo vocês, faço esforço

Para chorar!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

História de Ninar Para Bruxas - 2

Hélio e o Solstício de Inverno

Hélio caminhava apressado. Apressado sim, pois queria terminar logo a lamentável missão que lhe fora dada por seu avô. Então desviava habilidosamente das árvores no caminho, não que fosse difícil a um garoto de onze anos desviar daqueles salgueiros, mas ele crescera ali e duvidava muito que algum dos outros garotos da vila conhecesse tão bem a floresta quanto ele.

Conseguiu, então, chegar à orla da floresta. Deu, logo de cara, com os gigantescos portões que cerravam a vila de Yaveh. Aquelas argolas de ouro brilhavam intensamente ao sol do meio-dia e Hélio sentiu a pele arder ao usá-las para bater. Espera nunca fora o ponto forte dele, então ele não parou de bater até que a portinhola se abrisse. Agora ele era encarado por um par de olhos negros, aquele velho olhar que ele bem conhecia.

Na vila de Ishtar, onde Hélio residia, morava uma velha carrancuda e rabugenta. A Srª. Church era a única descendente remanescente do povo de Yaveh naquela vila, e não se sentia nem um pouco satisfeita com isso. Outrora, quando Ishtar e Yaveh eram unidas como uma vila, Church vivia feliz ao lado dos seus. Mas, depois de vários anos de desentendimento religioso, os descendentes de Yaveh decidiram partir. A velha fora deixada de lado por ser considerada uma herege, isso se devia ao fato dela ter se casado com um de Ishtar e ter cometido o pecado da separação. Eles não a levaram, e ela permaneceu ali, amargurada.

Hélio conhecia bem aquele olhar, a velha Srª Church lançava esse olhar de superioridade e nojo sempre que topava com ele. Então não se abalou com aquele dé-já vu.

- Identifique-se, estranho! – o mesmo tom autoritário da velha. “Será que eram todos iguais?” pensou ele.

- Hélio Solem Kraus, da vila de Ishtar. Vim a mando do meu avô, Alphonse Solem Kraus III, dar um recado ao líder da vila de Yaveh. – texto decorado, repassado e agora, finalmente, dito.

- Kraus? O que o velho diz? – indagou os impacientes olhos.

- Ele disse, abre aspas: O Solstício de Inverno se aproxima, aguardo a presença do representante eleito para os preparativos de Yule. Fecha aspas. – Disse sem muitas pausas.

Hélio podia jurar que havia visto faíscas nos olhos, mas é claro que ele nem ligava.

- Natal! – esbravejou os olhos – O nome é Natal. Ao menos em nossas terras pronuncie o nome correto.

- Tá, ta. Que seja! Já dei meu recado e preciso de uma resposta. – disse um impaciente Hélio. – Se me faz o favor.

Pensativo, o par de olhos desapareceu e a portinhola se fechou. “Só um segundo”, rugiu. Esperar não era bem o forte de Hélio e ele começou a ficar mais impaciente ainda. Dez minutos se havia se passado quando o par de olhos retornou com sua resposta.

- Rafael de Noah será o nosso representante, ele estará em Ishtar dentro de dois dias. Agora some daqui, seu vermezinho herege! – essa fora a gota d’água que Hélio esperava cair. Sem pensar duas vezes ele encheu a mão de terra e tacou nos olhos ofensivos. “Recado dado, resposta recebida!” e desapareceu em uma corrida por entre as árvores conhecidas.

De volta à sua amada vila de Ishtar, Hélio não tardou a se juntar com sua turma numa excursão à cachoeira. Ah, linda cachoeira! Estavam lá aos pulos, crianças felizes. Sentindo a água gelada pelo corpo, água tão pura de beber. Ficaram ali aproveitando aquele presente da Mãe-Natureza até que Sol se houvesse posto.

Na volta à mansão de seu avô, Hélio correu à cozinha em busca do já conhecido aroma de bolo de chocolate, quando a voz de seu avô ecoou pelo imenso corredor:

- Parado ai mesmo, seu ultrajante! – um misto de ira e hilaridade – O que o faz pensar que vai comer meu bolo antes de me relatar sobre sua missão?

- Não podemos conversar enquanto comemos? – sim, diga sim!

- Eu não seria eu se dissesse não, comamos! – claro, Alphonse era um admirador do bolo de chocolate da Miranda tão ávido quanto o próprio Hélio. – Mas não esqueça que por ser eu quem paga a cozinheira eu como primeiro.

-Ah, Alphonse, só nessas horas que você quer ser considerado avô, não? – depois disso foram à cozinha e se deliciaram.

Dois dias se passaram, o dia da reunião chegara. Os anciões da vila já estavam sentados ao redor da mesa central na praça central da vila, e o Sr. Kraus esperava o representante de Yaveh à entrada da vila. Ao meio-dia ele chegou!

Rafael de Noah era alto e forte, com olhos dourados como os cabelos, que iam presos num perfeito rabo de cavalo. Ele vinha vestindo uma túnica azul-celeste com estrelas brancas bordadas. Ladeado por dois homens muito grandes, um deles com olhos avermelhados, como se neles tivesse sido atirado um punhado de areia.

- Ai caramba! – Hélio correu de seus amigos e apontou – Aquele cara, foi o que recebeu meu presente de areia.

A comitiva de Yaveh sentou-se em seu lugar na mesa central, o Sr. Kraus dirigiu-se a seu lugar mas não sentou.

- Bem vindos, de Yaveh. Comamos antes este maravilhoso almoço para então tratar do assunto. – os grandões de Yaveh nem esperaram dois segundos, atacaram a comida como se nunca houvesse comido em toda vida. Uma bela ave assada, pernis suculentos, saladas de todos os tipos e suco de abóbora. Os visitantes não fizeram a menor cerimônia. Rafael não tocou na comida.

Depois de terminada a refeição, mulheres limparam a mesa e eles enfim estavam prontos para confabular. Hélio, porém, não tinha permissão de estar ali, e como a história é dele não se sabe o que foi dito por lá.

Então às duas da tarde, quando não havia mais graça em ficar correndo em volta da muda da Árvore da Felicidade, Hélio voltou para ver o que acontecia por lá pela praça central. A reunião acabado quando e os visitantes já tinham partido. O Sr. Kraus estava admirando a fonte enquanto os outros anciões conversavam com as cabeças juntas.

- Ah sim, meu neto. Este ano Yule será grandioso. – disse mais para si do que para Hélio.

- O que é Yule, Alphonse? – sabia que era o nome da festa que eles comemoravam todo ano na mesma época, junto com a vila de Yaveh, mas não entendia o porquê disso.

- Yule é o nome da celebração em honra à noite mais longa do ano. Comemoramos o nascimento de Deus, ou, para ser mais exato, o início de uma nova Roda do Ano. O fim de um ciclo de plantação. Celebramos esse Sabbath para garantir que os deuses rejuvenesçam nossos corações e limpem nossas almas de tudo que seja velho.

- Hum, então por que os de Yaveh também celebram? Eles têm outro deus, não? –

- Isso não importa. Eles celebram o nascimento do filho do deus deles, para eles é um momento de alusão à paz e ao amor. Sendo assim as intenções são quase as mesmas. – parecia meio estranho, mas Hélio aceitou essa explicação.

No solstício de inverno as duas vilas estavam juntas de novo, celebrando o nascimento do representante de sua fé e esperança. Filhos de Ishtar e de Yaveh estavam sentados na imensa mesa redonda da mansão do Sr. Kraus, comendo o resultado das safras das duas vilas e comungando como iguais.

Até que, como sempre, começou a discussão. Sempre algum dos de Yaveh sempre se sente ofendido pelo fato dos de Ishtar conseguirem ser felizes com seus deuses sem apenas com danças, música, alguns rituais e amor à terra, assim sendo sempre começam com gracinhas sobre a existência de um único Deus. É claro que os de Ishtar não são nada santos. Às vezes eles mesmos começam a briga, sempre questionando como um deus que deveria ser amor puro permitiria a existência de assassinos psicopatas.

Enfim, a briga já havia começado e ninguém sabia ao certo quem dera o pontapé inicial. Pragas e ofensas. Até que Rafael estava de pé e todos de Yaveh se calaram. Quando um não quer, dois não brigam e, seguindo essa lógica, os de Ishtar se calaram também.

“Olhem! Rafael se levantou.” Diziam e murmuravam os de Yaveh. “O que terá acontecido para que ele se prontificasse?”.

De fato, Rafael era muito disperso do mundo e era preciso mais do que uma briguinha para fazê-lo se interessar.

Uma turma de crianças estava no canto do grande salão. Brincavam, cantavam, faziam coisas de criança, totalmente alheias àquela briga sem sentido. E não eram apenas crianças de Yaveh ou de Ishtar, ambas as vilas estavam representadas ali.

Rafael foi em direção às crianças e se sentou ao lado delas.

Por esse simples gesto, todos no salão se lembraram porque estavam ali e porque realizavam aquela festa juntos. Desculparam-se e prosseguiram com Yule e com o Natal.

Não é necessário um presente para fazer uma pessoa feliz, a não ser que esse presente seja a felicidade em si.

Comamos!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Loucura Contida

Uma árvore distorcida e torta
Com o cão está dançando a valsa
Uma nuvem negra de emoções mortas

Num corredor sombrio e deserto
Vultos correndo ao meu redor
Voltam lembranças do sem afeto
A porta trancada é o sofrimento maior

Caindo no abismo sombrio das ilusões
Mãos passam mas não me seguram
Feridas na mente não se curam

Vestido negro e olhos vermelhos
A dama do amor e da morte
Loucura contida, desespero sem sorte.

Avner Raniery B. Pereira - Avner Astaroth

sábado, 3 de outubro de 2009

Ciclo da Poesia de um Poeta Criminoso

Um poeta como eu não pode

Ser feliz como deseja

Pois onde a inspiração esteja

Felicidade não permite rimar


Pássaro Negro que traz inspiração

Rouba nossa felicidade e alegria

Deixa-nos a maçã da imaginação

Tira-nos esperança e euforia


Quando surge a chama negra do amor

Ela queima nossos escritos

Mas o Pássaro Negro nos devolve a flor

Glamour negro dissipa as chamas da dor


O sorriso da Dama de Negro é o aviso

De que a hora da explosão se aproxima

Levar-nos de volta ao abismo é o risco

E com falsos felicidade e alívio perder nossa rima


Ventania de nervosismo crônico

Com desesperada chuva de tristeza

Moinho de vento com um girar cômico

Joga-nos na fonte sem correnteza


A mística mão é o convite da luz

Da Dama de Negro, a mão da guia

Com seu belo sorriso nos seduz

Ao caminho da despeitada fantasia


E à beira do Abismo da Ilusão

Esquecemos de quedas anteriores

E nos entregamos de volta às mãos

Que nos dão felicidade e nos tiram temores


Porém nesse abismo não há inspiração

E é dela que escritores bons vivem

O chamado do Pássaro Negro vem então

Esquecemos as ilusões antes que nos quebrem


A rosa ainda não está completamente negra

Maldito vermelho que não desaparece

O vermelho rouba nossa rima

E o negro é a realidade que engrandece


Criar asas e fugir desse estado vazio

Quente como um iglu gigante

Gritar por socorro não é de nosso feitio

Durante a viajem não há o que encante


Depois que o negro domina nossa alma

Somos salvos do abismo que engana

Pelo Pássaro Negro que nos acalma

E na Fonte das Realidades nos abandona


A fonte nos mostra como mascarar a realidade

Pois essa é a forma correta de escrever

Realidade criada por nós torna-se uma verdade

E nos mantém alimentados do real viver


Tal fonte, pudera, deveria ser destruída

Pois mesmo com as tristes ilusões e sofrimentos

Uma vida sem amor não pode ser mantida

Mesmo que com uma tempestade de tormentos


No fim, a queda nesse abismo de ilusões

O amor é uma magnífica aventura

Mesmo com as correntes e grilhões

É um mal para qual não há cura


E depois que fugimos dessa aventura

Encontramos mares de letras para enegrecer

Um lindo poema ou um breve comentário

Sobre como é maravilhoso viver despedaçado


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Histórias de Ninar para Bruxos

A Árvore de Luanna

A lua brilhava no céu da meia-noite enquanto Luanna terminava seu passeio noturno. Isso sempre se repetia, noite após noite. Ela seguia o conselho da sua mãe à risca: “Esteja sempre em contato com a mãe-lua, ela será sua guia quando eu me for!”. A mãe dela se fora há dois anos, e desde então Luanna sempre saía às onze da noite e passeava pelo jardim da mansão do Senhor Kraus.

Ao término de seu passeio de uma hora, Luanna decidiu voltar por um caminho diferente. Ela sempre seguia para casa contornando o velho salgueiro, em direção à grande bétula, mas naquele dia direcionou-se até o salgueiro e, em lugar de contorná-lo pela direita como sempre fazia, foi pela esquerda em direção a uma árvore na qual nunca reparara.

Lua iluminava a árvore de uma forma mágica, parecia a Luanna que o luar fora feito especialmente para aquela árvore. O tronco era largo e negro, tinha mais de três metros e os galhos, repletos de uma folhagem vasta e viva, subiam mais alto do que a garota podia acompanhar. As folhas pareciam brilhar sob o luar enquanto as flores exalavam o melhor perfume que Luanna já veio a sentir.

A garota ficou admirada com a magnificência da planta, jamais imaginou que a Mãe-Natureza tivesse um dia criado tal forma de vida tão bela que só podia ser divina. Luanna sentiu a energia espiritual da árvore falar com ela, parecia que estava cantando coisas em seus ouvidos. Então ela se aproximou do tronco e o tocou. Toda tristeza que pudesse existir em Luanna naquele momento extinguiu-se, começou então a se lembrar de tudo que acontecera de feliz em sua vida esquecer cada momento ruim.

No momento em que desfez contato a alegria espontânea diminuiu, mas não cessou! A garota deu boa-noite à árvore e voltou para casa. Sabia o que queria fazer no outro dia, não seria justo se apenas ela desfrutasse da magia que a árvore emanava. Ela chamaria todos seus amigos para dar o passeio na noite seguinte e fariam danças para homenagear a incrível planta.

Em casa, Luanna contou ao seu pai sobre a árvore e ele a lhe respondeu com ar de satisfação: “Sua mãe já me falou sobre essa árvore, mas eu nunca tive tempo de acompanhá-la em um passeio para fazer uma visita”. Ficou então combinado que em dois dias ele visitaria a árvore com a filha, ocasião em que teria folga do trabalho.

No dia seguinte, Luanna saiu em busca de seus amigos para lhes contar sobre a Árvore Mágica. De casa em casa ela anunciou que fariam um longo passeio noturno e os instigou a pedir permissão aos pais para fazê-lo. Uma vez que todos na vila conheciam muito bem Luanna, e também eram adeptos da Mãe-Natureza, logo todas as crianças receberam autorização para visitar a árvore mágica com a garota.

Á exatas onze horas da noite, toda a turma de amigos de Luanna estava pronta para o passeio. Saíram pelo caminho habitual dela, passando pelos Gerânios que brigavam com os Dentes de Leão, contornando os Copos de Leite que derramavam nas Rosas, até alcançarem o velho salgueiro. Tomando o caminho da esquerda seguiram até a árvore mágica. Um incrível “Oh!” foi a reação deles ao avistarem a planta.

Todos sentiram o mesmo que Luanna sentira na noite passada, a felicidade estava presente em todos os corações naquele momento. Terra e crianças, conectados como um só elemento, todos filhos da Mãe-Natureza. Começaram, então, a rodar de mãos dadas em volta da árvore, cantando músicas ensinadas pelos pais.

Chegada a hora de voltar, todos abraçaram a árvore mágica e foram embora para suas casas. Contaram a seus pais sobre a noite incrível que tiveram e sobre como a árvore conseguira fazê-los lembrar de como são belos a vida e o mundo. Luanna não cabia em si de tanta felicidade, relatava ao pai sobre a noite como se fosse a história mais fascinante da vida dela. “Mal posso esperar para ir com o senhor lá amanhã!”, disse ela, toda animada.

A árvore foi o assunto principal no dia seguinte, todos estavam muito empolgados e esperançosos pela noite. Aparentemente todos haviam recebido nova permissão de passeio e iriam ao jardim do Sr. Kraus naquela noite também. Todos estavam felizes, todos exceto uma pessoa: A velha Sra. Church não parecia nada feliz com aquela atmosfera. Andava pela frente da sua casa com aquele velho livro negro que usava para encontrar coisas erradas na vila.

A Sra. Church era uma dos dois únicos moradores que haviam restado da época em que a vila de Ishtar e a vila de Yahve eram unificadas. Todos os descendentes de Yahve saíram em direção ao outro extremo da floresta, enquanto os descendentes de Ishtar permaneceram próximos ao rio. O outro morador era o Sr. Kraus, descente de Ishtar que morava numa mansão que se situava no centro de um enorme jardim. A velha simplesmente detestava todas as práticas dos habitantes da vila, apenas permaneceu ali porque não tinha forças nem ajuda para migrar para o outro lado.

Quando a noite chegou todos a saudaram como de costume, jantaram e aguardaram ansiosamente até as onze. Na hora certa, saíram em direção a mansão do Sr. Kraus e lá chegando se depararam com ele de pé em frente à entrada para o jardim. “Sinto ter que dizer isso, meus amigos, mas tenho uma péssima notícia para vocês”. Ele os guiou diretamente para o lugar onde deveria estar a árvore mágica.

Um toco, isso foi tudo que restou da grande fonte de felicidades. Não sabia quem tinha sido, mas fora tudo que sobrou à vista do dono do jardim. As crianças davam altos muxoxos enquanto os adultos apenas observavam e imaginavam quem teria cometido aquele horrível crime.

As crianças, no entanto, aproximaram-se do toco com um enorme sorriso nos rostos. Aparentemente tinham visto algo que ninguém mais viu. E foi Luanna quem gritou enquanto apontava para algo que parecia estar no meio deles. Uma pequena mudinha brotava exatamente ao lado do toco. Era verde e viva, e estava lá pronta para ser cuidada e para, no futuro, ser, mais uma vez, fonte de felicidades para eles.

Se havia sido a Sra. Church, buscando acabar com aquele pedaço de existência que tanto feria os costumes monoteístas de seu povo, ou quem quer que tenha cortado a árvore mágica, isso não mais importava. O importante agora era cultivar aquele pequeno raio de felicidade que brotara e esquecer todas as tristezas novamente. Pois todos os amantes da Mãe-Natureza sabem que, não importando sua crença ou sua fé, a felicidade vem acima de qualquer coisa.


Avner R. B. Pereira (Avner Astaroth)

sábado, 19 de setembro de 2009

Amor em Mim!

Um poder semelhante ao da criação
Como um universo novo em cada um
Uma explosão de energia no coração
Inexplicável fenômeno igual a nenhum

Bela música que está sempre a tocar
Quando te vejo, imagem e som mesclados
Uma rapsódia com bela melodia a acompanhar
Linda história, a nossa, deixa-me apavorado

Pavor,sim, minha amada, do desconhecido
Dessa devastadora força cósmica
Donde escapar é dor, sofrimento perdido

No fim do caminho estarei te esperando
Pois o fim é o começo, e estou perdido
Então clareie meu caminho, caminho esquecido

Avner Astaroth - 19/09/09 - Sem rimas¬¬º

domingo, 23 de agosto de 2009

Ganância


Mulheres, dinheiro, poder, fama, amigos
Ganância e egoísmo, só importa o umbigo
Querer tudo, não esquecer nada
Cobiçar coisas, até o que não agrada

Que morram as crianças, que queimem a bruxas
Mas se quer a glória, com ou sem conduta
Pois no fim de tudo, quando tudo tiver fim
Não importa se o chão está manchado de carmesim

Os que julgam os gananciosos tabém cobiçam algo
Nem que seja nossa morte ou castigo, penitência
Mas aos berros nos defendemos com insistência

Pois queremos tabém a fria liberdade
Fria pois na verdade só somos o que temos
E como ja dizem os versinhos: Ainda não temos tudo que queremos!


donde se acomoda la usura
nacen la ambición y el poder,
y este germina en la tierra,
que agoniza por interés.
trecho de: La Costa del Silencio - Mägo de Oz

domingo, 19 de julho de 2009

Inveja
























Querer fazer o que os outros podem fazer
Querer ter o que os outros podem ter
Ações quase que absurdas se dispõe a praticar
Não enchergar o que tem, apenas o que desejar

As pessoas pensam em nos julgar invejosos
Apontam o dedo a nós e gritam revoltosos
Hipocrisia, eu afirmo, é o que paira na atmosfera
Piores são esses, pois vivemos melhor do que se espera

Satisfeitos estamos nós, eu diria, meu caro
Pois sim, somos invejosos e o que você tem
Adorariamos, meu bom amigo, ter também

Então ficamos aqui a sofrer ou a sorrir
Pois apenas uma cópia do seu, eu diria
É a única coisa que vamos conseguir

sábado, 4 de julho de 2009

Sombria Traição


Amada mãe esquecida hoje está
Frutos de seu ventre a outros estão a adorar
Enganosos farsantes mercadores de vil ilusão
Em nome de deus praticam horrenda traição

Falsa imagem sombria à mãe é designada
De deusa a demônio histórias foram alteradas
Tortura e fogo são as armas dos traidores
Às cinzas das condenadas nada além de flores

Ainda há aqueles que da culpa desejam se livrar
Nomeando-se protestantes tentam se diferenciar
Mas as mesmas histórias estão sempre a contar

Romanos ou protestantes o carma os buscará
Como uma severa mãe uma lição a ensinar
Sob a luz de uma Nova Era à Deusa reverenciar

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Frívolo

Ele que está jogado sobre a calçada cinza
Que escuta os carros a passar atirando-lhe água.
Ele que está imundo, sujeira que não finda
Que cantou, dançou e agora, ao chão, desaba.

Ele que já tentou manter um sentimento
Que o corroeu e depois o abandonou na sarjeta.
Ele que experimentou todo esse tormento
Que o tornou outra pessoa, uma toda refeita.

Ele que mesmo depois de sentir o não-sentir
Que o tornou algo emocionalmente forte.
Agora sente declinar e levemente cair.

Vazio ele é, intocada sua alma eternamente será
A janela da rua, que está aberta, dá para uma calçada.
E jogado, imundo, corroído e frívolo ele ali está.

sábado, 20 de junho de 2009

O esquecimento é o melhor remédio

a si mesmo iluminado está
natural ou artificialmente
pensamentos de revolta, os terá
administra-los-á perfeitamente

perdido em si mesmo sempre estará
completamente ou apenas em parte
por seus sentidos, traído será
pois aqueles cabelos exalam chocolate

ao fim do caminho abandonado está
em suas mãos só cabe decidir
talvez facilmente a esquecerá

novamente sozinho ele deve partir
a música diz que é o fim do caminho
e ele não sabe aonde ir

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Gula




Abandonado à própria sorte, à própria vontade.
Comer é tudo que resta, até que seja tarde
Tudo quanto aguentar, diria até suportar
Pois nunca é o suficiente, se come para se confortar
Caso seja porque tem fome, deve comer para saciar
Não podem julgá-lo pois não sabem o tamanho de sua fome
Então coma até que considere que seja o momento de parar
Eles não podem compreendê-lo meu caro, então ignore-os
Coma, coma tudo que puder. Você pode sim
E se disserem que não, fuja
Pois tenho um banquete para você, pode comer o quanto o convier
E lembre-se de uma coisa, sempre:Ninguém pode dizer o quanto você pode comer
Cabe apenas a você decidir.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Festa de Bonecos

Feche os olhos mas deixe a mente bem aberta
Olhe para meu sorriso enfim
Só peço que não fique muito alerta
E não ligue para o abismo que há em mim

Da sua boneca você já me contou quase tudo
Então dela quase tudo eu sei
Mas saiba que do meu boneco mudo
Quase nada eu contei

Um ventaval molhou meu boneco mudo
Acho que você nem reparou
Sua boneca, sem nem pensar no absurdo
Brinca agora com o boneco novo que você comprou

Meu boneco ainda sorri pois seu rosto é desenhado
Muito embora molhado ele ainda esteja
E você não parece ao menos ter notado

A festa de nossos bonecos deve continuar
Agora, claro, com um insentivo diferente
Pois há apenas uma boneca e um boneco
Numa Festa de Bonecos descente.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Luxúria


Sentir por cada pedaço do corpo algo eletrizante que deixa marcas na consciência. Ninguém está livre dessa sensação momentânea de poder absoluto e ao mesmo tempo de perda total do controle sobre nosso corpo. Chamam-nos de pecadores e nos direcionam ao inferno por vivermos uma liberdade que eles também almejam.

A liberdade que tanto nos torna subversivos, em relação à sociedade, quanto pecadores, perante a Igreja, também nos torna as pessoas que somos verdadeiramente. É essa liberdade que nos conforta quando vemos que aquilo diante de nós não é nada além de um abismo. Ela é uma forma de nos distrair dos problemas que infectam nossas vidas diariamente para afastar da nossa cabeça a idéia absurda de acabar com elas.

Enfim, tentar privar-nos dessa liberdade é como pedir que nós desistamos das nossas vidas e que muitos cometam suicídio. Se Deus só salva aquele que desiste da luxúria em seu nome, então a Igreja que me perdoe, mas não é para esse deus que eu vou prestar adoração.


Polla dura no cree en dios”(Mago de Oz - Finisterra)

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Prólogo

Dicen, que de todos los animales de la creación, el hombre es el único que bebe sin tener sed, come sin tener hambre y habla sin tener nada que decir. Por eso es mejor forjar el alma que amueblarla. Es el fin del Camino, es Finisterra