O que há por aqui?

Histórias e Poemas para quem cansou de ler coisas normais, abordando assuntos nada usuais e também alguns comuns ocasionais. Amor, tristeza, amizade, sofrimento, histórias de ninar e suspense!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Simplicidades Poéticas

Da Boa Tarde

Despertei confessando ao sol
Antes que o vento espalhasse a verdade
Mas enquanto ainda estou só
Desejo-te apenas uma boa tarde

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Da Simples Poesia

Para essas poesias simples nascerem
Apenas um sorriso lindo da menina
Para os novos versos florescerem
Abraços e beijos faltam ainda

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Do Convite

Eu ainda não sei
Deixa ser como será
Vamos nos encontrar
Aí então traçarei
Nova rapsódia de amar
Sob a luz do teu olhar

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Do Novo Convite

Mas é tão bom se apaixonar
Simples como o alvo luar
Que brilha e conta aos amantes
Canções de corações distantes

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Da Insistência

Já estou em seu coração
Não adianta negar
Estou em seu pensamento
Basta olhar
E é um contentamento
Se apaixonar
Nas asas da poesia
O mundo vamos juntos
Amar!

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Da Confusão

Ah, menina... me encanto só de imaginar você confusa
Ah, menina... me agrada que sua confusão seja eu
Ah, menina... que já deixa minha mente toda turva
Ah, menina... que já quero chamar de amor meu

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Do Conformismo

...e a noite canta a canção dos desavisados
Peço perdão pelo meu vil atrevimento
Todas as cores, letras, refrões desdobrados
Que não serviram ao seu encantamento...

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Jack L. Carroll!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

A Chuva Da Depressão

Cinzento céu, depressão interior
Afoga os planos, meu desamor
Interrompe passos ao campo aberto
Enclausura-me no frio Imerso

Como a chuva, tempestade sazonal
Solidão que nublada, denso temporal
Que escurece a mente do vil Animal

Animal jogado no canto do Consciente
Não é simples, pois o simples mente
E simplesmente se afoga em aflições
Que a chuva rega de atribulações

E quando o animal ensopando e perdido
Sob o frio, a vida está para entregar
Surge o Sol, queima, a vida a iluminar

Jack L. Carroll

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Árvore do Matrimônio




Choveu e você não veio
Minhas folhas verdes contemplar
Não compreendo o humano receio
De com nova vida se molhar

Choveu e você não veio
E muitas horas seu amor esperou
De baixo de meus vastos galhos
Como tais, tortas linhas traçou

Choveu e você não veio
Amarrada, enraizada de outro alguém
Que a deixa à míngua, ninguém

Choveu e você não veio
Mas o vento por você nos acariciou
E seu amor, como o seu, fortes chuvas chorou

Jack L. Carroll
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domingo, 7 de abril de 2013

Das Pessoas Comuns


...e alguém já parou para pensar no vendedor de algodão doce?
que por mais pobre e feio que fosse
andava todas as ruas do seu bairro
festejando a cada mísero centavo
o pão com café que iria à mesa
ou talvez, pior, a tristeza
o chão frio, da vida o escárnio

Não! Nós só nos preocupávamos em dizer:
"Mãe, xô comprar algodão doce?"

quarta-feira, 20 de março de 2013

Soneto Da Culpa


Como água cristal que escorre pelo corpo
Lava a pele, a superfície do rosto
Esses paliativos apenas buscam enganar
Distraem-me, traem-me, não servem para apagar

E sem pouca ou qualquer escusa
Pois em mim arde a enervante culpa
Da causa, da razão que causou a dor
A escolha infeliz que fiz, que me dilacerou

Não volta, não retorna, o tempo é uma reta
A cada passo, a cada peça, do coração, que resta
Pulsa fraco, fingindo força que não tem

Superar, caminhar, é como dizia um velho cantor
Expulsar pensamentos é como tentar esvaziar
Apenas com as duas mãos toda a água do mar

Jack L. Carroll

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O Inútil Anestésico da Razão


Agora caminho pelas veredas da razão
Sabendo que o vazio que sinto em meu coração
Nada mais é que do falta do que fazer
Pois apenas bombear sangue não parece satisfazer

E saber o que falta suficiente não é
Por mais que eu me distraia como der
E que completa a vida pareça ser
Sem forte emoção não consigo me mover

E posso fazer de conta que completo estou
E que do drama adolescente nada restou
Mas mentiroso seria, mentiroso sou

Não obstante toda esta sinceridade
De mãos atadas permaneço a pensar
Até Deus resolver a hora de me apaixonar

Jack L. Carroll

terça-feira, 7 de junho de 2011

Meia Janela, Meio Céu - Season Finale

Orgulho e Pós-Conceito (Meia Janela, Meio Céu - Parte VI)





Elena – O Fim De Um Ano

Já expus meu modo de ver a mente humana, um imenso universo onde tudo pode acontecer e de fato acontece, muitas vezes sem que possamos sequer interferir. Cada pessoa encara a vida da forma que melhor a convier, dependendo das experiências vividas. Assim, um mesmo objeto pode ser alvo de diversas opiniões, a uma mesma ação podem ser dadas variadas importâncias, isso dependendo da forma que afetar o indivíduo cuja opinião se pergunta. Aceitando essa visão como correta, é possível entender porque Elena estava tão chateada quando nos encontramos na hora por mim definida.
- Se é assim que você se sente sobre nós dois, Jack, não vou mais aborrecer você – claro que vai – No mais, pouparei meu tempo.
Eu tinha acabado de extravasar tudo que eu estive sentindo nesses últimos dias. Fui sincero com ela, deixei claro que não estávamos mais namorando e que nossas recaídas não passavam de uma relação física. Mas cometi o grande erro de dizer que ainda a amava, o que acabou por criar falsas esperanças em seu coração. É claro que eu ainda sentia algo por ela, mas não era nem um terço do que um dia havia sentido. O tal amor era só nossa velha química, que agia nos atraindo de forma letal um para o outro.
- Poupe mesmo, não perca mais tempo comigo! – nunca consigo dizer exatamente o que quero – Sou um caso perdido.
- Então é sério isso? Não perder tempo com você? – não ouviu da primeira vez, mulher? – Entendi certo?
Outra vez lágrimas, outra vez. Da primeira vez já havia sido ruim o bastante, eu não precisava ver aquilo de novo. No fundo eu não queria ficar só, essa era a real razão para eu não a ter deixado de lado no momento certo. Agora eu precisava resolver aquilo, ou ela pensaria que fiz tudo por capricho, que me diverti às suas custas.
- Entendeu certo, sim. – eu disse quando suas lágrimas cessaram – Seu tempo é algo precioso demais, quase não arrumou um pouco para mim hoje. – já estava outra vez no caminho errado.
- E no fim das contas você só queria me dizer que era tudo atração física, por isso não conseguia conter-se quando ficava perto de mim. Não era amor! – não era mesmo – Não consegue nem conversar comigo mais, nunca sentiu minha falta de verdade.
Eu sempre fico desconcertado quando alguém adivinha exatamente o que estou sentindo, sinto-me como se fosse um livro, ou algo transparente e fácil, isso não me agrada.
- Tudo bem, você tem razão outra vez – melhor do que simplesmente negar – Não era amor, de acordo com sua lógica, porque para amá-la seria necessário que eu me importasse em não magoar você, mesmo você não estando nem aí para o que eu sinto! – um dos meus maiores defeitos é tentar justificar tudo que faço, mas quem não tenta?
- Você chegou mesmo a essa conclusão, ou está dizendo para entrar de acordo com minha lógica? Você deve refletir bem sobre isso. Sei sobre mim, mas duvido sobre você. – ela achar que sabe e saber não era a mesma coisa.
- Não sei o porquê de você se importar, já disse o que sinto, por que ainda insiste em complicar algo que poderia ser bom sendo simples? – outra vez eu declino em minhas decisões por medo da solidão.
- A felicidade é construída aos poucos, por blocos de pequenas coisas felizes. No fim tenho que me importar com algo. Tento seguir sua linha de pensamento, mas não funciona assim comigo. – nem comigo, na verdade – Bom, se você é feliz assim, continue.
- Continuo sim, e não tenho culpa se você leva tudo tão a sério. – eu poderia ter parado nessa frase que ainda sim já seria ruim – E, honestamente, a única coisa que você ganhou com tudo isso foi um rosto molhado de lágrimas sem sentido algum! – a grosseria foi a única forma que encontrara de dizer o que ia no meu coração.
Depois dessa, é claro, ela não conseguiu manter a pose. Mas não a culpo, eu consigo ser realmente alguém para com quem é difícil manter-se firme num diálogo.
Então ela se levantou e gritou:
- Pode ficar aí se achando o foda, mas saiba que se hoje choro a culpa é sua só por ter insistido nisso quando eu tava superando. No fim acabei me fodendo.
Não respondi, seria covardia dar uma de minhas respostas a essa demonstração de fraqueza. Tudo que fiz foi observar enquanto Elena ia embora. Finalmente se dera o fim de ano na minha vida. Um ano no qual me tornei o que sou hoje, um ano em que percebi que não posso ficar com uma pessoa apenas para afastar outra do pensamento. Um ano em que surgiu em mim a consciência de que, por mais que não pareça, eu tenho o poder de dobrar o mundo com minhas palavras, ou ao menos evitar um assalto.


Marcela – A Reafirmação Do Fracasso

A noite tinha acabado de cair em Depp City, os postes de iluminação já davam o ar de sua graça, as pessoas já começavam a desaparecer, hora do jantar, quem sabe? Eu andava cambaleante pela avenida principal do centro, alguns talvez afirmassem que eu estava bêbado. Costumo dizer que, se falamos de álcool, quando bebo em excesso posso perder-me em um alto nível etílico a ponto de minhas funções cerebrais ficarem alteradas. Porém, bêbado, para mim, era um estado de espírito, estado esse que tenho orgulho de desfrutar em tempo integral.
Eu não tinha bebido álcool naquela noite, na verdade eu não tinha bebido nada desde que recebera a ligação de meu tio, Arnold, sobre a viagem. De acordo com ele, sua filha, minha amada prima, Marcela, estaria no primeiro vôo para o Rio de Janeiro, do dia seguinte. Ela viajaria para conhecer a família do Dr. Lerdo, possivelmente ficaria por lá um bom tempo. Claro que entendi o que aconteceria a seguir.
“Casamento”
Minha mente tentava processar a informação, meu corpo desistira de sincronizar com ela, agia por impulso. Só quando estanquei em frente à casa dele, foi que despertei para o meu cenário, e não me agradou saber o que meu corpo planejara fazer. Ao entender o que ocorrera e pensar no que ocorreria, lembrei-me do que acontecera há pouco, antes de vir.

Assim que recebi a ligação, senti o conhecido calor nos olhos. A ira e o medo de perder Marcela dominaram meus atos, como se um demônio se apossasse de meus membros apenas para satisfazer minha real vontade, não importando o quanto minha mente dissesse que não poderia ser feito. Senti as pontas dos dedos ficarem em chamas, cada nervo se agitava como um louco numa camisa de força. Suor em minha nuca, espasmos em todos os meus músculos, surto de adrenalina.
Corri em direção ao porão da minha avó, local onde todos os pertences que foram salvos do incêndio foram guardados, esmurrei a porta, as dobradiças ficaram inutilizadas. Meus pensamentos gritavam tanto que nem ouvi o som que a porta fez ao bater numa jarra de barro e espatifá-la. No porão, procurei a mala com as coisas do meu Padrasto, ao menos uma vez esse casamento ia me ser realmente útil. Era um baú grande, pesado em si e ainda mais com os diversos trecos que tinham dentro. A despeito do peso absurdo, ergui o objeto facilmente e o pus na área iluminada. Destruí a fechadura, já que não possuía a chave do cadeado, levantei a tampa com tanta ânsia, que essa também acabou se desfazendo.
“Achei você!”
Arma básica da polícia local, pistola automática calibre 32, uma Sparrow. Meus olhos brilharam de prazer ao mirá-la, já sentia o efeito da endorfina que tentava aliviar minha tensão. Era prateada, detalhes em negro. Ao longo do cano havia uma inscrição. Era comum em Depp City que os usuários de armas dessem nomes às suas, assim sendo, se alguém tinha uma arma sem nome, muito provavelmente a havia conseguido por meio ilegal. A arma de Anthony, meu padrasto, tinha o nome da primeira bandida que ele prendeu usando essa.
“Vamos, Talita, seja meu brinquedinho hoje.”

Tendo me lembrado de tudo isso, estar diante da casa do Dr. Lerdo me abriu o leque de possibilidades. Mas embora eu soubesse que deveria dar meia volta e desistir daquilo, já não era mais possível. Enquanto eu cooperasse com meu corpo, teria controle sobre este. Porém na tentativa de ir embora, provavelmente acabaria inconsciente e deixaria que ele, meu inconsciente, fizesse aquilo que queríamos.
Com Talita escondida no bolso do casaco, toquei a cigarra. Ouvi passos se aproximando, a hora era vindoura. Tentei relaxar, ficou mais fácil quando aceitei o fato. Notei a maçaneta girando lentamente, logo após a sombra ter sumido do olho mágico. Abriu-se para trás, a porta, revelando o alvo de minha ira. Lá estava ele, Dr. Felipe, o homem que levaria embora minha fonte de felicidades, minha razão platônica de viver.
- Ah, finalmente você chegou. – eu estava sendo esperado, que ótimo – Entre, Celinha o está esperando! – “Celinha”? Ele estava pedindo para ser morto.
Permaneci uns cinco segundos calado, não podia transparecer meus reais sentimentos. Acho que se eu fosse o Superman o Dr. Lerdo teria sido frito pelos raios de calor, pois meus olhos já ardiam mais que o próprio inferno.
- Sim. – foi tudo que consegui falar.
Entrei. Ele me guiou até a sala, muito grande bem decorada. A casa de um médico promissor. Mas embora fosse uma bela estadia, tudo naquele lugar me gerava ódio. Exceto, é claro, pela pessoa morena sentada no sofá, olhando me daquela forma intensa e misteriosa.
- Duque! – a voz... era a canção que me dividia – Que bom que veio me ver, achei que viajaria sem me despedir de meu melhor amigo. – o olhar dela era o raio que tentava me levar de volta para a luz – Sente-se aqui, Felipe estava me contando sobre a vez em que ele quase caiu do corcovado. – antes tivesse caído.
- Ah, sim. Vou me sentar para comemoramos o seu desprezo por mim e pelo que sinto por você! – ficar calado não era um dos meus fortes – Vamos sim, falar sobre como será interessante para você com o seu novo namorado lá na terra daquela estátua odiosa, enquanto eu, abandonado e sozinho, arrasto-me em direção ao abismo das lamentações.
Uma vez dado o caos, o melhor a se fazer é aproveitá-lo.
- Não acredito em você! Como pode? – fácil, tente! – Depois de todas as vezes em que conversamos, Jack, achei que já tínhamos resolvido essa questão.
- Claro! Já sei o que você vai dizer. Mas uma coisa é você namorar outra pessoa morando aqui em Depp City, perto de mim. Outra coisa é ir embora, deixar-me como se nunca tivesse significado algum para você.
- Cara, não é bem as.. –
- Cale a boca, seu idiota! – gritei para ele, fiz um movimento rápido e logo o apontava a arma ao coração – Diante dessa situação, no seu lugar, eu não diria uma palavra sequer!
Marcela abafou um grito com as mãos quando viu Talita.
- Jack, abaixe isso! – nem ao menos conseguia usar um tom autoritário – Isso não é um brinquedo, alguém pode sair machucado!
- Alguém vai sair morto daqui, Celinha. Nesse momento essa arma é tudo quanto me resta de felicidade, e pode ter certeza que vou usá-la. – pude ver os meus olhos vermelhos, brilhavam no fundo dos dela.
- Jack, por favor! – daqui vem minha vergonha – Se você o matar eu sofrerei. – seus olhos estavam marejados, senti como se sua voz acariciasse meu coração.
- Vai sofrer por ele? É isso? – em contrapartida, apenas ódio escorria de meus lábios.
- Um pouco, sim. Eu o amo, Jack, não posso mentir sobre isso. – poderia sim, se quisesse – Mas sofrerei porque você seria preso, sofrerei porque você deixaria de ser meu amigo amado para se tornar o assassino do meu amor. Como eu poderia amar alguém que se dispõe a matar as duas metades de meu coração na mesma noite?
Desse ponto eu fraquejei. A razão falou alto, eu acordei para a realidade. Se eu fosse preso, não estaria longe de meu amor de qualquer forma? Se ela me odiasse, não me abandonaria do mesmo jeito? Não, não podia fazer, não conseguiria mais. Infelizmente, uma vez que eu fechei a janela de controle do meu inconsciente, este agiu por conta própria. Eu não sou uma pessoa que pode simplesmente negar os desejos e agir pela razão, o céu era o limite de minhas ações inconscientes, agora.
- Antes você me odiando sozinha do que me amando a distância e estando com ele. – não era eu falando, não era minha voz – Se for para me desprezar que seja por algo que realmente eu tenha feito, pois não há sentido em me amar como você diz e não querer estar comigo. Não aceito essas condições. – mas com certeza eram coisas que eu realmente adoraria gritar para ela.
Um golpe rápido em meu braço. Um disparo rápido no ombro dele. Dr. Lerdo sangrava no chão, Talita jogada no tapete. Marcela chorava com ele nos braços, não morreria. Ele não morreria. Mas as viaturas em frente à casa não me deixariam fugir, tentativa de homicídio também é crime.
- Desculpe-me, Marcela. – eu chorava – Não quis.. ele me atacou e.. – ela fez a pior coisa que poderia ter feito, olhou-me aliviada.
- Tudo bem, eu sei que você não teria feito. – eu não, mas eu sim – Ele ficará bem, vamos dizer que foi tudo um acidente lamentável.
Se fosse assim tão fácil eu não estaria escrevendo sobre isso agora. Dr. Felipe deu queixa de mim, sim, eu teria dado também. No outro dia eu estava atrás das grades, sozinho e acabado. Embora minha condição fosse péssima algo me alegrava, Marcela, em desagrado por ele ter me feito ser preso, cortou todas as relações com o sujeito. No fim, o amor dela por mim era mesmo maior. Isso me confortava.
Na minha cela, sozinho. Meu pai era militar, o que me propiciou uma cela particular. Mas a solidão já não mais me doía, embora eu preferisse estar solto. Não recebi visitas, Axel estava viajando com Bárbara, coisas da família dela. Nem mesmo meu pai se deu ao trabalho. Eu era apenas a ovelha negra da família, que embora parecesse ter um futuro maravilhoso, acabara sendo um peso a se carregar, uma escória.
Perdido em devaneios, mal pude ouvir a voz do guarda.
- Ei, garoto! Tem visitas para você!
Quem seria? Quem? Ainda tenho amigos, é claro. Provavelmente Axel voltara e soubera de minha prisão. Ouvi a voz dele, sim. Eram ele e Bárbara. Surpreendi-me por me sentir feliz, no fim eu realmente não queria estar só. Vi-os, aproximaram-se.
- Estávamos pensando em vir amanhã, porque acabamos de chegar. Mas tinha uma pessoa que não conseguiu esperar para ver você.
De trás deles saiu ela, uma visão que me deixou surpreso comigo mesmo, pela segunda vez naquele dia. Cabelo verde, tatuagem no pescoço, um sorriso lindo e um olhar audaz. Aproximou-se da cela, ainda sorrindo, ajoelhou-se perto de onde eu estava deitado e pegou minha mão.
- Oi, bebê! – disse Aline.
- Oi!- e eu sorri.

Jack L. Carroll